15 de dezembro – dia do jardineiro

O que seria de nós sem estes profissionais tão importantes em nosso meio. Eu, pessoalmente, me considero uma jardineira desde a mais tenra idade, pois meus pais me ensinaram o cuidado com todas as plantas. Me ensinaram que é imprescindível, para se ter uma vida saudável e equilibrada, prezar e valorizar essa arte, tão apreciada por ambos.

Meu pai ganhou até um prêmio da Prefeitura da minha cidade natal, Caçapava do Sul, de tanto que cuidava do seu amado pomar. Na época, eu tinha 11 anos de idade. Tamanho era o zelo para com cada árvore frutífera! Ele se deslocava diariamente por várias horas observando as necessidades de cada uma. Nos finais de semana, eu o acompanhava atentamente aprendendo como cuidar e regar. Tínhamos muita dedicação para que se desenvolvessem harmoniosamente, o que até hoje preservo como uma linda herança.

Sinceramente, não sei qual dos dois era mais jardineiro que o outro, pois minha mãe simplesmente dizia que “não respirava sem que pudesse diariamente ver flores”. Eu passava 90% do meu dia no meio das flores, observando as cores, formas e sentindo o perfume, sempre influenciada pelos comentários maternos. Ela viveu até os 85 anos cuidando e preservando do que considerava seu maior legado, o pomar que ambos plantaram e os jardins ao redor da casa que se estendem indefinidamente.

A grama sempre aparada, como um imenso tapete verde emoldurada por pés de frutíferas nativas como “araticum-do-mato”, “guabiroba”, “amoras”, “butiás” e outros. Compartilhavam os espaços com “amor perfeito”, “begônias”, “orquídeas” e muitas outras.

Mas sua grande paixão eram as rosas, de várias espécies, cores e tamanhos, que eram meticulosamente podadas; uma espera ansiosa para a época da floração. Toda vez que alguém a visitava e tirava fotografias, dizia: “Fulana saiu linda na foto com minhas rosas, parecia uma artista!”.

Esses são os verdadeiros tesouros que herdamos: o amor, a paixão, o carinho, o valor do comprometimento e zelo pela existência como um todo, sem desconsiderar a vida de uma planta, de um animal. É a individualidade de cada ser que torna a convivência do dia a dia mais harmonioso e com o qual dependemos para manter nossa saúde, nossa conexão conosco e com os semelhantes.

Rogo aqui pela imensa importância de que cada pai e de que cada mãe ensinem a jardinagem para seus filhos, mesmo que em um pequenino vaso na janela do apartamento. É assim que começamos a aprender a valorização do cuidado e do respeito para com a vida.

 

Professora Eliete MM Fagundes

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